Escola da Árvore

Inspirações teóricas

Dentre as concepções teóricas que nos balizam está a perspectiva do desenvolvimento humano de Vygotsky, que entende que a humanidade é tanto fruto de uma conjunção natural e biológica como também é produto e produtora da realidade sócio-histórica. Essa perspectiva reconhece que cada pessoa é um ser histórico e social, ativo na construção de sua história, de seu processo de aprendizagem e desenvolvimento, bem como na construção da história da sociedade na qual está inserida, a partir de sua interação com as outras pessoas.

Como parte dos pressupostos da teoria sócio-histórica, não há como o sujeito ser percebido apartado de sua história e de seu contexto social. O desenvolvimento se dá no ambiente e nos contextos apresentados. Há uma relação dialética entre o ser humano e o mundo, em que o sujeito é produto do seu contexto social, histórico, cultural e político, mas também é capaz de interferir, modificar e produzir esse contexto. Essa perspectiva de desenvolvimento está em consonância com a visão de desenvolvimento enquanto um processo de tornar-se que é ao mesmo tempo ativo e criativo.

Encontramos em Paulo Freire inspirações que nos lembram que a educação pode, e deve, ser uma ferramenta de transformação social, trazendo a possibilidade de emancipação e liberdade.

A escola tradicional opera a partir da individualização, do isolamento, da vigilância e do castigo.As crianças são separadas e classificadas, vistas como tábulas rasas que precisam da figura central do professor que nelas vai depositar conhecimentos e informações, e que precisam ter seu comportamento controlado e suas habilidades medidas por testes e provas artificiais

Outro aporte teórico que compõe nossa prática é a Pedagogia de Celéstin Freinet. No cerne de sua pedagogia, Freinet preconiza a importância da vida real entrar na escola, em um ambiente que acolhe imprevistos, novidades e a beleza que o cotidiano traz. Além disso, Freinet propõe que o trabalho seja desenvolvido a partir dos interesses das crianças, das coisas que as espantam e encantam, que lhes prende o olhar. Seus preceitos de autonomia, registro, afeto, cooperação e comunicação são tidos como centrais para a educação, e percebemos que se alinham com coerência a uma proposta de educação transformadora e contra hegemônica. Existe dentro dessa pedagogia uma preocupação de pensar uma educação que conduza à equidade, na qual o conhecimento não poderia servir para subjugar ou discriminar outras pessoas.

Freinet se pautou por uma pedagogia do trabalho, baseada em atividades com sentido e significado reais para as crianças, indo além das cartilhas prontas e da repetição automática e desconectada da realidade. Para ele, a educação precisa estar envolvida com o que instiga as crianças, e assim, as crianças se engajam nos trabalhos e aprendem os conteúdos.

Essa pedagogia trouxe também contribuições metodológicas, com propostas que serviam a facilitar as aprendizagens e envolvimento das crianças, como as aulas-passeio, a auto-avaliação e auto-correção, a correspondência interescolar, o fichário de consulta, a imprensa escolar, o livro da vida, o plano de trabalho e o texto livre. Todas essas propostas atendem ao propósito de trazer o sentido de volta para a escola, no que Freinet chamou de pedagogia do trabalho.